quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Descobridor de material complexo usado para fabricar frigideiras e motores ganha Nobel de Química

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O israelense Daniel Shechtman ganhou prêmio Nobel de Química de 2011, anunciado nesta quarta-feira (5), em Estocolmo, capital da Suécia.
Ele decobriu, em 1982, os quase-cristais (ou quasicristais), material metálico que apresenta algumas propriedades típicas de um cristal, mas exibe uma estrutura bem mais complexa. Assim como os cristais normais, os quase-cristais são formados por átomos que se combinam para formar estruturas geométricas, mas diferente do que acontece com os "cristais normais", o padrão dos quase-cristais não se repete em intervalos regulares.
Os quase-cristais são empregados na indústria, por exemplo, para a fabricação de materiais antiaderentes, como panelas. A vantagem de um produto desse à base de quase-cristais é unir de maneira eficiente a resistência à abrasão com a boa condutividade de calor própria dos metais.
Também são empregados como isolamento térmico em motores.
Shechtman observou em seu microscópio eletrônico que os átomos do cristal que observava estavam organizados em um padrão que não poderia se repetir. Sua descoberta foi extremamente controversa e ele deixou o grupo de pesquisa do qual participava. No entanto, sua batalha forçou os cientistas a reconsiderarem sua concepção sobre a natureza da matéria.
Depois da descoberta de Shechtman, os cientistas produziram outros tipos de quase-cristais no laboratório e descobriram que eles existem naturalmente em amostras de um mineral de um rio russo. Uma empresa sueca também encontrou quase-cristais em uma forma específica de aço. Os cientistas estão fazendo experiências com o uso de quase-cristais em diferentes produtos, tais como frigideiras e motores diesel.
Em entrevista publicada em 2003 na revista Ciência e Cultura, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Shechtman comentou a aplicação dos quase-cristais.
- [...] Os quase-cristais são materiais metálicos, mas agem quase como isolantes para eletricidade e condução de calor. Segundo, esses materiais são muito duros e resistem à fricção e ao desgaste. Também não furam facilmente, como o teflon, de forma que as pessoas usam-nos para recobrir frigideiras e panelas ­ mas, ao contrário do teflon, se você os raspa com uma faca, eles não se soltam, não se desgastam.

Os vencedores no ano passado foram Richard F. Heck, da Universidade de Delaware, nos Estados Unidos, Ei-ichi Negishi, da Universidade Purdue, também nos EUA, e Akira Suzuki, da Universidade Hokkaido, no Japão.
Eles conseguiram desenvolver uma maneira que permite criar, a partir do carbono, moléculas tão complexas quanto aquelas que encontramos na natureza, o que resulta na produção de medicamentos contra o câncer, materiais eletrônicos avançados e produtos usados na agricultura.


O prêmio consiste numa medalha de ouro, um diploma com a citação da condecoração e um valor em dinheiro, que varia de acordo com os rendimentos da Fundação Nobel, mas que normalmente fica em torno de 10 milhões de coroas suecas (R$ 2,72 milhões) - a ideia de Nobel era permitir que os homenageados continuassem a trabalhar ou pesquisar sem pressões financeiras.

Os prêmios são concedidos para realizações em:

Nobel de Física e Nobel de Química (decididos pela Academia Real das Ciências da Suécia)
Nobel de Fisiologia/Medicina (decidido pelo Karolinska Institutet)
Nobel de Literatura (decidido pela Academia Sueca)
Nobel da Paz (decidido por um comitê designado pelo parlamento norueguês)

O Prêmio Nobel pode ser ganho individualmente ou repartido entre até três pessoas. Pode não ser concedido num ano, o que permite a concessão de dois prêmios da mesma categoria no ano seguinte. Além disso, o prêmio em determinado campo pode não ser concedido por um ano ou mais - o que ocorre mais frequentemente com o Nobel da Paz.

Cada comitê manda convites aos meios científicos de vários países, para que digam quais são seus eventuais candidatos. As nomeações são recebidas pelos comitês e, depois de serem estudadas e analisadas por especialistas, são transmitidas às instituições, que votam para escolher os vencedores.

Os homenageados têm o direito de recusar os prêmios. Mas as recusas só ocorreram por pressões políticas - como em 1937, quando Hitler proibiu os alemães de receberem o Prêmio Nobel, porque ficou irritado quando o Prêmio da Paz de 1935 foi concedido a Carl Von Ossietz, um jornalista antinazista que tinha revelado os planos secretos de rearmamento da Alemanha.