quinta-feira, 21 de julho de 2011

Caso Juan: juiz vê fortes indícios de que PMs mataram JuanCaso Juan: juiz vê fortes indícios de que PMs mataram Juan

agistrado alegou temor das testemunhas e bom curso das investigações
 
O juiz Márcio Alexandre Pacheco da Silva, da 4ª Vara Criminal de Nova Iguaçu, que decretou a prisão temporária dos quatro policiais militares envolvidos na morte do menino Juan, de 11 anos, alegou que “já existe prova da existência do crime e que há fortes indícios de autoria”.
No despacho em que justifica a decretação da prisão, o magistrado considera que a prisão temporária dos policiais é importante porque a liberdade dos PMs provoca temor em vítimas e testemunhas, “capazes de trazer elementos para a elucidação dos fatos”.
O juiz explica ainda que muitas pessoas deixam de prestar depoimento ou falam sobre o caso sem se identificar e lembra que vítimas e familiares de Juan foram incluídos em programa de proteção à testemunha.
Márcio Alexandre considera a prisão dos PMs essencial para o bom curso das investigações, que ainda não foram concluídas, e pondera: “se o próprio corpo como prova pôde ser manipulado, o que dirá de outras provas.
Por fim, o magistrado pede que os policiais Isaías Souza do Carmo, Edilberto Barros do Nascimento, Ubirani Soares e Rubens da Silva permaneçam separados dos demais detentos enquanto estiverem presos.
O advogado Edson Ferreira, que defende os PMs, alega que os quatro policiais são inocentes. Ele afirmou que todos vão se entregar assim que receberem a ordem judicial.
Sobre o caso:
O corpo de Juan foi encontrado dez dias depois da ação na comunidade Danon, às margens do rio Botas, em Belford Roxo, também na Baixada Fluminense.
As investigações para apurar quem matou o menino estão colocando em lados opostos as polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro. As duas instituições defendem versões diferentes para o mesmo crime.
Em depoimento, os policiais militares, investigados pela morte de Juan, disseram que teria havido intenso confronto com traficantes na favela, mas peritos não encontraram indícios de troca de tiros na direção onde os PMs estavam posicionados.
A perícia de local não detectou vestígio de cápsulas ou qualquer marca de perfuração que provasse que tiros foram disparados na direção dos PMs.
No dia 9 de julho, policiais fizeram a reconstituição do crime, com a participação dos policiais suspeitos.