O serviço médico do Tribunal Regional Federal coloca a promotora Deborah na cadeira de rodas, após passar mal durante julgamento. Ela é suspeita de envolvimento num esquema de corrupção que ficou conhecido como mensalão do DEM
A promotora Deborah Guerner protagonizou nesta quinta-feira (21) mais um capítulo na novela que investiga o esquema de corrupção que ficou conhecido como mensalão do DEM de Brasília. Em julgamento da corte especial do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, Guerner, suspeita de envolvimento no episódio, gritou contra os desembargadores e ensaiou um desmaio no plenário.
No início do julgamento, a corte especial decidia se abriria o julgamento à imprensa, ao contrário da sessão anterior, em maio, que foi fechada. Na ocasião, os desembargadores rejeitaram recurso em que Deborah Guerner alegava insanidade mental.
Durante a discussão dos magistrados, Guerner tentou interferir e gritou que estava sendo injustiçada.
- O Arruda [ex-governador do DF José Roberto Arruda] não foi denunciado, nem o Paulo Octávio [ex-vice-governador do DF] nem ninguém!
O presidente do tribunal, Olindo Menezes, a repreendeu.
- Se a senhora falar mais uma vez vou retirá-la daqui. A senhora não é obrigada a estar presente, mas, se tumultuar mais uma vez, vai ser retirada.
Após a ameaça do desembargador, a promotora voltou a assistir a sessão ao lado do marido, Jorge Guerner, e do advogado, Paulo Sérgio Ferreira Leite, que havia anunciado sua retirada do caso, mas voltou a defender a acusada. A calmaria durou pouco. Minutos depois, Deborah Guerner ficou agitada e desmaiou. Ela foi retirada pelos brigadistas do TRF e levada ao posto médico.
No início do julgamento, a corte especial decidia se abriria o julgamento à imprensa, ao contrário da sessão anterior, em maio, que foi fechada. Na ocasião, os desembargadores rejeitaram recurso em que Deborah Guerner alegava insanidade mental.
Durante a discussão dos magistrados, Guerner tentou interferir e gritou que estava sendo injustiçada.
- O Arruda [ex-governador do DF José Roberto Arruda] não foi denunciado, nem o Paulo Octávio [ex-vice-governador do DF] nem ninguém!
O presidente do tribunal, Olindo Menezes, a repreendeu.
- Se a senhora falar mais uma vez vou retirá-la daqui. A senhora não é obrigada a estar presente, mas, se tumultuar mais uma vez, vai ser retirada.
Após a ameaça do desembargador, a promotora voltou a assistir a sessão ao lado do marido, Jorge Guerner, e do advogado, Paulo Sérgio Ferreira Leite, que havia anunciado sua retirada do caso, mas voltou a defender a acusada. A calmaria durou pouco. Minutos depois, Deborah Guerner ficou agitada e desmaiou. Ela foi retirada pelos brigadistas do TRF e levada ao posto médico.
Acusações
Deborah Guerner e o ex-procurador-geral de Justiça do Distrito Federal Leonardo Bandarra são acusados de extorsão, quebra de sigilo funcional e formação de quadrilha. O julgamento foi dividido em duas partes. Pela manhã, os desembargadores vão julgar a denúncia de extorsão. Deborah e Bandarra teriam exigido R$ 2 milhões do então governador José Roberto Arruda para não divulgar vídeos em que ele aparecia recebendo dinheiro do ex-secretário de Relações Institucionais do DF Durval Barbosa, delator do esquema.
As acusações de quebra de sigilo funcional e de formação de quadrilha serão julgadas à tarde.
As acusações de quebra de sigilo funcional e de formação de quadrilha serão julgadas à tarde.
Processo disciplinar
Leonardo Bandarra e Deborah Guerner foram julgados e condenados em processo disciplinar no CNPM (Conselho Nacional do Ministério Público). Em maio deste ano, o órgão determinou que a demissão dos dois seja pedida à Justiça. Bandarra também foi suspenso por 150 dias e a promotora por 60 dias.
Eles recorreram da decisão e o CNMP negou a apelação, mas as sanções administrativas só podem ser aplicadas quando a decisão do conselho for publicada. Antes disso, a defesa dos acusados ainda pode recorrer administrativamente e ao STF (Supremo Tribunal Federal).
Eles recorreram da decisão e o CNMP negou a apelação, mas as sanções administrativas só podem ser aplicadas quando a decisão do conselho for publicada. Antes disso, a defesa dos acusados ainda pode recorrer administrativamente e ao STF (Supremo Tribunal Federal).
Prisão
Deborah Guerner e o marido, Jorge Guerner, chegaram a ficar oito dias presos na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, acusados de interferir do processo ao simular insanidade mental.
Vídeos gravados pelo circuito interno da casa da promotora mostraram ela supostamente tendo aulas com o psiquiatra para parecer ter transtornos mentais. O julgamento desta quinta, no entanto, ainda não trata dessas acusações.
Vídeos gravados pelo circuito interno da casa da promotora mostraram ela supostamente tendo aulas com o psiquiatra para parecer ter transtornos mentais. O julgamento desta quinta, no entanto, ainda não trata dessas acusações.
Mensalão
O mensalão do DEM de Brasília foi descoberto depois que a Polícia Federal deflagrou, em novembro de 2009, a operação Caixa de Pandora, para investigar o envolvimento de deputados distritais, integrantes do governo, além do então governador Arruda e de seu vice, Paulo Octávio (sem partido, ex-DEM). Octávio e Arruda sempre negaram envolvimento com o suposto esquema de propina.
Arruda chegou a ser preso, deixou o DEM para não ser expulso e foi cassado pela Justiça Eleitoral. Paulo Octávio renunciou ao cargo para defender-se das acusações.
Arruda chegou a ser preso, deixou o DEM para não ser expulso e foi cassado pela Justiça Eleitoral. Paulo Octávio renunciou ao cargo para defender-se das acusações.