quinta-feira, 15 de setembro de 2011

'Íamos ao escritório, mas não tinha nada para fazer', diz ex-Lehman

Otávio Fakhoury , sócio gestor da Mauá Sekular. (Foto: Arquivo pessoal)


Em março de 2008, o experiente gestor Otávio Fakhoury foi contratado pela matriz nova-iorquina do Lehman Brothers para estruturar a área de renda fixa do banco no Brasil. O novo emprego parecia promissor: o sólido Lehman, que operava havia 158 anos e era então o quarto maior banco de investimentos dos Estados Unidos, pretendia acelerar o crescimento dos negócios no mercado brasileiro e até abrir em São Paulo a primeira agência da instituição na América Latina.
"O Lehman era considerado um bom lugar para se trabalhar. Era uma empresa menor, onde você podia fazer as coisas mais rápido e tinha um sistema de pagamento mais agressivo, como o do Goldman (Sachs, outro banco de investimento)", recorda o executivo.

Fakhoury, 38 anos, hoje sócio gestor da Mauá Sekular, trabalhava há cinco anos no concorrente Merril Lynch quando saiu para assumir o cargo no Lehman. Havia morado cinco anos em Nova York e carregava ainda no currículo a experiência de oito anos no Citibank.
No Lehman, passou a ser um dos chefes em uma equipe que reunia cerca de 30 pessoas em um escritório na Avenida Faria Lima, em São Paulo. Respondia direta e constantemente à matriz do banco, em Nova York. O escritório paulista fechou um ano e meio depois de sua abertura, quando o fundo BTG, do banqueiro André Esteves, comprou os ativos do Lehman Brothers no Brasil. No fim, parte dos funcionários se dividiu entre o próprio BTG e o banco Standard Chartered, que contratou alguns dos ex-Lehman, como o próprio Fakhoury.