O Exército afirmou nesta segunda-feira (5) que está apurando se houve excessos de militares da Força de Pacificação durante uma confusão com moradores do Conjunto de Favelas do Alemão, na Zona Norte do Rio. No domingo (4), o tumulto terminou com três pessoas detidas e uma mulher ferida por bala de borracha. De acordo com a assessoria da Força de Pacificação, no entanto, não foi aberta sindicância, uma vez que o Exército considerou inicialmente a abordagem aos civis normal.
A estudante Elaine Moraes ficou com uma bala de borracha alojada na boca. Ela foi levada para o Hospital Getúlio Vargas, mas ainda tem dificuldades para falar. "Só senti o impacto, entrou aqui dentro e botei a mão e senti uma bola", contou a jovem, que estava indo visitar o tio quando o confronto começou.
Outro morador ficou com a marca da bala de borracha no pescoço. "Tava lá em cima e começaram daqui um tumulto, subiram daqui pra lá, e eles atirando, jogando bomba de efeito moral. O único jeito foi procurar um abrigo pra se esconder", contou Wilson Alves, que disse não ter percebido o momento em que foi atingido.
MPF apura tumulto
As procuradoras da República Gisele Porto e Aline Caixeta, da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, vão ouvir nesta segunda-feira (5) o general Cesar Leme Justo, responsável pela Força de Pacificação, e moradores do Conjunto de Favelas do Alemão para apurar o tumulto ocorrido no domingo. As informações são da assessoria do Ministério Público Federal.
O MPF já apura outra ação de militares com uso de spray de pimenta e balas de borracha na Vila Cruzeiro, em julho deste ano, quando um morador perdeu o olho direito ao ser atingido por bala de borracha.
A madrugada desta segunda-feira (5) foi de tranquilidade no Alemão. Segundo o coronel Nilson Maciel, Chefe de Estado Maior da Força de Pacificação, não houve registro de novos tumultos e o patrulhamento segue normal no local.
Garrafas, pedras e balas de borracha
Segundo o Exército, a confusão começou quando dez integrantes da tropa da Força de Pacificação faziam uma ronda a pé pela comunidade, quando um homem, que assistia a um jogo de futebol em um bar, começou a hostilizá-los. O episódio ocorreu a 50 metros da estação do teleférico Itararé.
Maciel afirmou que os militares deram ordem de prisão a um homem por desacato a autoridade. Segundo o coronel, outras pessoas que o acompanhavam teriam se revoltado com o ato, e agrediram a tropa com garrafas e pedras.
Imagens na internet
Menos de uma hora depois da confusão, um morador postou um vídeo no You Tube mostrando o início do tumulto.
Um post publicado no Twitter do Voz da Comunidade, jornal produzido por moradores do Alemão, diz que "a confusão toda começou por causa de um jogo de futebol que estava sendo exibido na tv. O bar cheio de gente e pediram pra abaixar o volume". Um segundo post explica, que segundo os moradores, o volume da TV não foi diminuído, e por isso, os militares teriam reagido com spray de pimenta e bombas de efeito moral.