Confrontos e protestos incendeiam a capital do Chile, Santiago, desde as 12h desta quarta-feira (24). Ao menos cinco pontos da cidade - incluindo a entrada da Universidade do Chile, em uma das principais avenidas - estão repletos de "caveirões" da polícia local, que usa jatos de água e gás lacrimogênio para dispersar os manifestantes.
Os protestos dos estudantes, que prosseguem desde maio, agora tiveram adesão de trabalhadores de vários setores, em uma greve geral de 48 horas que começou hoje.
Bancários, carteiros, químicos, professores, servidores públicos e vários outros setores aderiram à greve. Apesar disso, serviços como transporte público (metrô e ônibus) não pararam, como temia o governo chileno.
A reportagem do R7 acompanhava um protesto pacífico na entrada da Universidade do Chile, na avenida Bernardo O'Higgins, quando a chegada da polícia causou alvoroço e várias pessoas correram para a rua. Bombas de gás foram lançadas contra a multidão, que incluía pedestres sem relação com o protesto - como senhoras idosas, crianças e trabalhadores.
Jatos de água derrubavam as pessoas ao chão ao redor do local onde estava o repórter.
As lojas fecharam rapidamente as portas, e os guardas do metrô correram para bloquear a entrada da estação mais próxima da universidade - várias pessoas foram barradas e ficaram expostas ao gás lacrimogênio.
Lá fora, a multidão (estimada em 600 pessoas, de acordo com a polícia) se dispersava pelas vielas. Grupos de jovens com os rostos cobertos se arriscavam a jogar pedras nos "caveirões".
A reportagem contou ao menos 60 policiais e cinco "caveirões" - três do tipo ônibus e dois veículos menores - ao longo da avenida principal, a Bernardo O'Higgins.
A dona de uma lanchonete que fechava as portas disse apoiar as razões do protesto, mas que ele deveria ser pacífico.
- Jogar pedras, enfrentar os policiais, não ajuda nada.